elsa-frozen-25377-1024x768Quando o filme Frozen foi lançado houve um grande alvoroço! O mais novo filme de princesas logo se tornou o maior sucesso da Disney dos últimos tempos. Crianças se apaixonaram pela princesa Elsa e decoraram as músicas do filme em poucos minutos! “Let it Go” a versão original da música “Livre Estou” ficou entre os 10 hits mais vendidos do iTunes por meses e chegou a ganhar o Oscar de melhor música em 2014.

Por outro lado algumas pessoas começaram a questionar os ensinamentos escondidos no filme, acusando-o de ter o primeiro casal homossexual dos filmes da Disney (pesquise no google “curiosidades sobre frozen” e você achará menções sobre isso em sites – inclusive não cristãos – sobre cinema. Trata-se de Oaken, o vendedor de utensílios domésticos fortão com trejeitos e sua –suposta- família, que estava esperando-o na sauna), que o filme é feminista ao minimizar a importância do príncipe e do par romântico e ao ter duas protagonistas mulheres, ou dizendo que os poderes de Elsa são uma alegoria ao homossexualismo.

Veja os paralelismos entre os poderes de Elsa e o homossexualismo que um leitor do website “Omelete” apontou em um artigo com a crítica do filme:

“Ela nasce com eles, ela não os adquire. Não é oferecida uma explicação sobre isso, ela simplesmente é assim. Ela foi ensinada desde criança que era errado ser assim e que ela tinha que esconder isso de todos. Isso causa bastante ansiedade, medo e insegurança nela. Quando ela é, de fato, exposta, ela é recebida com incompreensão e fúria, o que a força a sair de casa. Primeiramente ela foge e se sente solitária e triste, porém posteriormente se sente livre e abraça inteiramente quem ela é. Let It Go, a música principal do filme, diz: “Não consegui guardar aqui dentro, o céu sabe que eu tentei. Não deixe-os entrar, não deixe-os ver, seja a boa menina que você sempre teve que ser. Esconda, não sinta. Não deixe-os saber… bom, agora eles sabem.” O que espelha perfeitamente o que uma adolescente com medo de que alguém descubra sua sexualidade e tenta ser alguém que não é sentiria. Durante essa música, Elsa aprende a aceitar quem é e proclama seu senso de auto-aceitação, a própria linguagem corporal dela mudando drasticamente do início para o fim. (SPOILER) No final do filme, é o amor da Anna que cura a Elsa. Inclusive, a irmã é a única pessoa que não deixou de amar Elsa ao saber sobre os poderes. No fim, Elsa aprende a estar totalmente em harmonia com os poderes após receber o amor e aceitação de sua família, que era a última coisa que ela queria.”

Preciso confessar que olho essas “teorias da conspiração” com suspeita e relutância, porém precisamos estar alertas para as sutilezas do mundo. Nossas crianças são alvo fácil para aqueles que querem criar uma geração “progressista” e, se nós cristãos, não estivermos alertas, trabalhando minuciosamente na escolha do que está enchendo as cabecinhas de nossos filhos, o mundo entrará com facilidade em nosso lar e em seus coraçõezinhos (que já são inclinados ao pecado por natureza) moldando a sua cosmovisão.

Por isso eu gostaria de chamar todas as mamães das pequenas princesas de gelo a analisar comigo a letra das música “Let it Go” em Inglês e da versão em português “Livre estou” (letra no final do artigo)

Não temos como saber se realmente a menção feita é de se libertar e assumir a homossexualidade. Mas mesmo que não seja esta a questão, o enredo do filme, reforçado pela música, apresenta ensinamentos perniciosos e diabólicos na voz de uma linda princesa que pretende ser modelo para nossas filhas. Vamos ver alguns deles?

O filme parece ignorar que o ser humano nasce com uma natureza totalmente corrompida e má e que existem coisas dentro de nós que precisam ser controladas, transformadas, abandonadas e dominadas. Parece que a mensagem central do filme é: aceite-se da maneira que você é. Não lute para mudar! Liberte-se! Sim, existe algo no seu interior que faz as pessoas sofrerem e causam dano, mas você não tem que lutar contra isso. Você precisa apenas aceitar a maneira como você é e viver a vida. Dá trabalho e é cansativo controlar as coisas dentro de você que causam dano ao próximo. O filme trata a batalha que temos que travar todos os dias contra nós mesmas como algo indesejável.

A Bíblia, no entanto, ensina algo muito diferente. Ela narra a nossa trajetória como uma luta, uma batalha sem trégua contra “os poderes” que nascem conosco e que causam malefícios ao nosso próximo e solapam a santidade de Deus: “Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.” (Gálatas 5.17)

Isso mesmo! Precisamos lutar a vida toda contra as coisas que queremos, pois quando estamos agradando a nós mesmos, não estamos agradando a Deus. Fazer aquilo que queremos, estar livres, dar vazão ao que existe dentro de nós, significa viver em inimizade contra Deus! Afinal, dentro de nós ainda habita o pecado: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado.” (Romanos 7.18-25).

Paulo reconhecia seu problema e não fugiu para longe a fim de poder viver sua vida da maneira que queria. Ele travava uma luta de vida e morte contra o pecado: “Ora, na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue” (Hebreus 12.4). A liberdade que a Bíblia ensina é bem diferente da apregoada no filme! A liberdade que nos é proposta é a liberdade do pecado, para sermos escravos de Cristo!

Outro trecho da música, espelhando o filme, diz que “deixei uma vida para trás, mas estou aliviada demais para lamentar”. Para Elza não importava o que havia sido negligenciado. O que ela queria é que sua luta acabasse. Sua irmã é deixada para trás, mas isso não importa, ela está aliviada demais e isso é o que conta! Não te parece um discurso bem batido em nossos dias, mas agora com ares de encanto? “Não agüento mais a prisão deste casamento, estou sofrendo. Sei que vou deixar quem amo para trás, sei que meus filhos vão sofrer, mas estou aliviada demais para pensar nisso.” O princípio por trás da atitude de Elza é exatamente este. Minha dor, meu sofrimento. Os outros? Estou aliviada demais para lamentar!

Outro tópico bem frisado é que você não deve ser a boa menina que todos querem, mas deve seguir seus instintos. Segundo a Bíblia, nem uma coisa nem outra! Esta “boa menina” reflete aquilo que esperam de mim; os meus instintos representam o pecado contra o qual luto diariamente. Minha guerra constante deve ser a de buscar o que Deus espera que eu seja, aquilo que Ele mesmo revelou em Sua santa Palavra. Aquilo que é descrito como pecado, deve ser rapidamente abandonado. A opção apresentada no filme de forma sutil é: “seja falsa, escondendo quem você realmente é ou deixe tudo e todos pra lá e dê vazão a que está no seu interior!”

Me chamou atenção também a forma como os pais são retratados. Embora os poderes que ela tinha causassem situações até mesmo perigosas, parece que os pais são retratados como inimigos por desejarem que ela aprenda a se controlar! Uau! Já pensou se nossos filhos resolvem adotar esta teoria? “Não me importa o que vão falar”, “não deixe que eles saibam”: ambas as frases se referem aos pais!

Elza dá extremo valor a ter liberdade, testar limites, diz que não se arrepende do que ficou para trás. Verdades duras e perigosas se confrontadas com a Bíblia. E finalmente depois que Elza fez o que sempre quis fazer, ela ficou mais madura, mais linda, mais feliz. Nada tão contrário ao Evangelho. Nesta história, ir contra tudo e contra todos, desobedecer aos pais e não se conter, não se dominar, não traz conseqüências ruins, pelo contrário, abre as portas para uma nova vida. “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois tudo que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6.7) Esta é a verdade absoluta. O que passa disso é mentira, é zombar de Deus. Não dá para acharmos que está tudo bem com um desenho que ensina nossos filhos a fazer o que der na telha, e que não só não colherão frutos amargos pela desobediência, mas serão, inclusive, mais felizes!

Me preocupa o fato de que este e outros desenhos contendo ensinamentos tão ruins quanto, ou até piores, sejam vistos repetidamente por nossas crianças. Um filme assim, assistido uma vez não representa grande perigo. Mas vivemos dias em que os desenhos são babás de nossos filhos, que os assistem vez após vez, até decorarem suas falas. Quanto tempo temos gasto ensinando o que é certo, em contrapartida aos ensinamentos mundanos e corrompidos que a televisão ensina aos nossos filhos? Será que esta é uma luta desigual na sua casa? Será que mais tempo é gasto ensinando o erro? Nada mais didaticamente prejudicial. Não se ensina o errado para depois mostrar o certo! E quando se trata de ensinamentos que podem moldar a mente e o coração de nossos filhos então…quando se trata de verdades eternas…

Que possamos ficar atentas e ajudar a guardar a mente e o coração de nossos filhos da ideologia do mundo. Eles já têm combustível suficiente dentro de si para abraçar e seguir o pecado original. Não precisam de “ajuda”.

A Bíblia nos exorta a ensiná-los na mais tenra idade. Isso significa que eles são capazes de aprender e de reter tanto o ensino que gera a vida quanto aquele que traz morte: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.” (Provérbios 22.6) A palavra criança se refere a infantes! “O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina.” (Provérbios 13.24). CEDO é o tempo de ensinarmos nossos filhos a lutar contra si mesmos, a reconhecer suas fraquezas e a não fazerem o que está dentro deles, mas voltarem seus olhos para a Palavra de Deus, moldando seu comportamento, seu coração e sua vida à vontade LIBERTADORA do nosso Deus. Devemos ensiná-los o quanto antes a não se amoldar a ideologia miserável deste mundo, mas a se transformarem pela renovação de suas mentes através da Palavra. Só assim, (não importa o que a Disney diga), só assim eles poderão experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de DEUS!

2014-10-24

Abaixo a letra das duas versões da Música:

Let it Go (Tradução do original)Esta noite a neve branca cai na montanha
E nem sequer uma pegada visivel
Um reino de isolamento
E parece que eu sou a rainhaO vento está uivando
Como essa tempestade rodopia dentro de mim
Não consegui segurá-la
O céu sabe que eu tentoNão os deixe entrar, não os deixe ver
Seja a boa menina que você sempre precisou ser
Esconda, não sinta, não deixe que eles saibam
Bem, agora eles já sabemColoque para fora,
Coloque para fora,
Não posso suportar mais
Coloque para fora,
Coloque para fora,
Dou as costas e bato a portaE aqui estou
E aqui eu vou ficar
Coloque para fora,
Coloque para fora,
O frio nunca me incomodou mesmoÉ engraçado como um pouco de distância
Faz tudo parecer pequeno
E os medos que uma vez me controlaram
Não chegam nem perto de mim
Bem aqui no ar frio que eu finalmente posso respirar
Eu sei que deixei uma vida para trás
Mas estou aliviada demais para lamentarColoque para fora,
Coloque para fora,
Não posso suportar maisColoque para fora,
Coloque para fora,
Dou as costas e bato a portaE aqui estou
E aqui eu vou ficar
Coloque para fora,
Coloque para fora,
O frio nunca me incomodou mesmoUma vida congelante foi a que eu escolhi
Você não vai me encontrar,
O passado está atrás de mim
Enterrado na neve

Coloque para fora,
Coloque para fora,
Não posso suportar mais
Coloque para fora,
Coloque para fora,
Dou as costas e bato a porta

E aqui estou
E aqui eu vou ficar
Coloque para fora,
Coloque para fora,
O frio nunca me incomodou mesmo

 

Livre Estou (Versão do filme em Português) – Levemente diferente da versão original, mas trazendo a mesma mensagemA neve branca brilhando no chão
Sem pegadas pra seguir
Um reino de isolamento e a rainha está aqui
A tempestade vem chegando e já não sei
Não consegui conter, bem que eu tenteiNão podem vir, não podem ver
Sempre a boa menina deve ser
Encobrir, não sentir, nunca saberão
Mas agora vãoLivre estou,
livre estou,
Não posso mais segurar
Livre estou,
livre estou,
Eu saí pra não voltar
Não me importa o que vão falar
Tempestade vem
O frio não vai mesmo me incomodarDe longe tudo muda
Parece ser bem menor
Os medos que me controlavam
Não vejo ao meu redor
É hora de experimentar
Os meu limites vou testar
A liberdade veio enfim
Pra mimLivre estou,
livre estou
Com o céu e o vento andar
Livre estou,
livre estou,
Não vão me ver chorar
Aqui estou eu e vou ficar
Tempestade vemO meu poder envolve o ar e vai ao chão
Da minha alma flui em fractais de gelo em profusão
Um pensamento se transforma em cristais
Não vou me arrepender do que ficou pra trásLivre estou,
livre estou
Como o sol vou me levantar
Livre estou,
livre estou
É tempo de mudarAqui estou eu
Vendo a luz brilhar
Tempestade vem
O frio não vai mesmo me incomodarLivre estou,
livre estou
Como o sol vou me levantar
Livre estou,
livre estou
É tempo de mudar

Update – Nota da Autora:
Gostaria de reforçar que não somos donas das consciências das irmãs e que não temos autoridade para dizer a você, mamãe, o que seu filho deve ou não assistir na televisão. Nosso objetivo é alertá-las para que vocês façam com este aviso o que bem entenderem, sempre à luz das Escrituras, é claro!

Outro aspecto que gostaria de enfatizar é de que não cremos que tenhamos que tirar nossos filhos do mundo e criá-los numa redoma de vidro. Não se trata disso. Por outro lado, precisamos ter o cuidado de não bombardeá-los com conceitos mundanos. Pequenas pílulas de mentiras, maldades e conceitos errados todos os dias, durante toda a vida podem não demonstrar sintomas imediatos, mas a longo prazo, podem contribuir para a formação do caráter de nossas crianças.

Dei esta resposta em um dos comentários de uma leitora abaixo: Precisamos mesmo sondar tudo que permitimos entrar na nossa casa, pelo crivo da Palavra. Também acho que devemos mostrar onde está o erro aos nossos filhos e instruí-los. Este é o objetivo do texto: nos alertar para o que nossos filhos estão engolindo sem percebermos. Isso feito repetidamente ao longo do tempo, com a “ajuda” de tantos outros programas que pregam verdades opostas à Bíblia, vão formando uma cosmovisao distorcida e aos poucos afastando nossos pequenos da forma bíblica de encarar toda e qualquer situação. E, de fato, precisamos ter este cuidado. Uma coisa é uma criança de dois ou três anos, no auge da formação do seu caráter, assistir repetidamente, diariamente (como as crianças gostam de fazer) filmes que exaltam coisas que uma mãe não gostaria que seus filhos assimilassem. Outra muito diferente é uma mãe que se assenta com uma filha mais velha e assiste a um programa, conversando, apontando erros, desmascarando as mentiras e os sofismas impregnados da cosmovisão mundana e contrária a Deus. Não minimize esta verdade: o caráter cristão de seus pequenos está sendo formado não por grandes e pontuais acontecimentos e ensinamentos formais, mas de forma corriqueira, diária, nas coisas mais aparentemente insignificantes. É por esta razão que Deuteronômios 6 diz que os estatutos do Senhor e a sua lei deve ser inculcada na cabeça de nossos pequenos diariamente, andando, ao deitar, ao levantar, ao se assentar: em cada pequena e “insignificante” oportunidade.

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simone* Simone Quaresma é casada há 24 anos com o Rev. Orebe Quaresma, pastor da Congregação Presbiteriana de Ponta da Areia em Niterói, Rio de Janeiro.

Professora de educação infantil, deixou a profissão para ser mãe em tempo integral de 4 preciosidades: Lucas (22 anos), Israel (20 anos), Davi (18 anos) e Júlia (16 anos). Ela mantém o blog Se Eu Gostasse de Ler…  de leituras diárias para os jovens da Congregação pastoreada por seu marido; trabalha com aconselhamento e estudos bíblicos com as mulheres da Congregação

 

Flávia Silveira, 31 anos é casada há 7 com Daniel Silveira e mãe de uma florzinha chamada Isabel, de 1 aninho e meio. Advogada por formação, é Mãe e Esposa em tempo integral. Daniel e Flávia são membros da Igreja Presbiteriana da Herança Reformada, Salvador-Bahia, mas atualmente congregam na  Heritage Netherlands Reformed Congregation, pastoreada pelo Dr. Joel Beeke e Rev. Maarten Kuivenhoven, em Grand Rapids, MI, EEUU, onde Daniel faz seminário no Puritan Reformed Theological Seminary. Flávia é uma das criadoras e mantenedoras do blog Mulheres Piedosas.