Nancy Wilson, em seu livro Gloriosa Vocação, dá continuidade à série best-seller que elaborou junto com seu esposo Douglas Wilson sobre família.

Neste livro ela reuniu muitos conselhos práticos e diretrizes bíblicas acerca da maternidade, ela também amplia a visão que devemos ter acerca do fato de sermos mães; as bençãos que advém deste trabalho, quando feito de forma piedosa, vão muito além dos nossos lares:

“Uma mãe que cumpre seu chamado frutífero é um meio que Deus usa para trazer bênçãos para toda a família, seu marido, a igreja e a sociedade. Mães que compreendem que Deus deseja uma descendência piedosa entendem quão importante é o papel que desempenham no cumprimento da vontade de Deus. Embora exija diligência, trabalho duro e fé para suscitar uma descendência piedosa a Deus, é um trabalho que satisfaz a alma.”

Nancy prossegue falando sobre a importância da igreja e a compara em certos aspectos à uma mãe. No tocante a submeter-se a Cristo, ensinar e edificar, alimentar e nutrir, disciplinar e gerar frutos, há vários pontos em comum entre a igreja e uma mãe. Assuntos como concepção, gravidez e parto nos advertem sobre fortes opiniões que podem causar divisão entre as mulheres da igreja. Deus é soberando até sobre estes assuntos.

Deus forma uma criança no ventre materno

“Aquele que me formou no ventre materno não os fez também a eles?” Jó 31:15;

“Tu criaste o íntimo do meu ser é me teceste no ventre de minha mãe” Sl 139:13;

“Assim diz o Senhor, que te criou e te formou desde o ventre” Is 44:2.

Deus também é aquele que faz sair dali a criança:

“Porque pois me tiraste da madre?” Jó 10:18;

“Do ventre materno tu me tiraste” Sl 71:6.

Nas palavras de Nancy:

“Concepção, gravidez e parto são todos do Senhor. As mulheres cristãs devem compreender profundamente essa verdade bíblica como sendo fundamental a todo o seu pensamento sobre o chamado de ser mãe.”

Logo, devemos ser humildes quando consideramos o que o Senhor ordena fazer em e por meio do nosso corpo, e devemos olhar para ele buscando sua graça sustentadora em todos os aspectos dessa experiência maravilhosa.

Ainda neste capítulo somos alertadas para lembrar que alguns nascimentos são mais difíceis do que outros. Uma “boa experiência” de parto não é o nosso objetivo final, embora seja algo desejável e pelo qual podemos orar. Mas quando passamos por algum tipo de experiência difícil em algum parto, não devemos ficar ressentidas. Precisamos nos lembrar de que o Deus soberano governa todas as experiências, tanto as boas como as más, e faz com que todas elas cooperem para o nosso bem.

O capítulo seguinte trata de um assunto que quase sempre deixa as mães apreensivas: quando os filhos adoecem.
Somos encorajadas a confiar em Deus e em seu cuidado soberano sobre nossos filhos e não viver cheia de ansiedade por causa deles. Quando nossos filhos adoecem, é sempre um bom momento para exercitarmos a nossa fé. Períodos de doenças são bons momentos para ensinar sobre compaixão e misericórdia, para ensinar nossos filhos a confiar em Deus em meio às adversidades, e até mesmo para ensinar sobre a fragilidade da vida.

O capítulo 5 discorre sobre amarmos os nossos filhos e sobre algumas de nossas atividades diárias em nossos lares. Amar nossos filhos envolve estabelecer bons hábitos, rotina, disciplina e descanso. Devemos aproveitar ao máximo as oportunidades de amar nossos filhos nos momentos das refeições, na hora de dormir e nos feriados. Devemos nos empenhar para desenvolver uma atmosfera de amor e alegria em nossos lares. Nossas casas devem ser cheias de alegria, como está escrito em Salmos 118:15:

“Nas tendas dos justos há voz de júbilo e de salvação; a destra do Senhor faz proezas”.

Este cuidado alegre deve se estender para os ambientes que estão além dos limites da nossa casa, e no capítulo 6 o assunto tratado diz respeito aos bons modos com relação à igreja, aos amigos e aos familiares. Devemos buscar ter a mentalidade centrada em Cristo, da qual todas as boas maneiras devem fluir. Devemos buscar ser o modelo de cortesia cristã para nossos filhos. Neste mesmo capítulo Nancy encoraja as mães a prepararem seus filhos para o culto a Deus. Treinando e ensinando de forma que aprendam a assistir aos cultos e a não atrapalhar seus irmãos em Cristo que também estarão assistindo ao culto no Dia do Senhor.

No capítulos 7 e 8, o assunto se subdivide a respeito de pontos específicos na criação de meninos e meninas. Enfatizando a necessidade que os meninos têm de se sentirem respeitados pelos pais e da necessidade que as meninas possuem de se sentirem amadas pelos seus pais.

Ao aplicar esses princípios de amar e respeitar nossos filhos, eles poderão crescer em um ambiente em que possam ver qual o padrão de Deus para o casamento. E esse padrão no lar é a melhor preparação que eles podem ter para seu próprio casamento.

No capítulo 9 um conselho precioso é dado: devemos ter o cuidado de não estarmos demasiadamente envolvidas na obra cristã fora do lar a menos que nossos filhos e maridos estejam bem supridos, nossa família esteja bem cuidada e tenhamos ainda algum tempo para ceder a estas outras tarefas.

Devemos também conduzir nossos filhos disciplinando-os desde cedo e, ao longo do crescimento e amadurecimento deles, poderemos gradualmente dar mais liberdade a eles para observarmos se os padrões que lhes ensinamos têm sido realmente internalizados.

O capítulo 10 é voltado para a educação.
Sobre esse assunto, Nancy diz:

“As mães devem ser elas mesmas estudantes e leitoras para que possam dar aos filhos exemplo da alegria e amor pelo aprendizado. Não podemos esperar que nossos filhos amem o conhecimento se nós mesmas não o amamos”.

Devemos ter como objetivo desenvolver o amor pelo saber, promover o conhecimento de forma que honre e glorifique a Deus. Perseguir o conhecimento e a sabedoria, bem como transmitir aos nossos filhos o deleite e a alegria de aprender tudo o que pudermos.

No antepenúltimo capítulo Nancy fala sobre o lar, o quanto precisamos estar atentas e trabalhar duro para que o nosso lar seja cheio de alegria e de beleza. Nós mulheres temos grande impacto sobre o nosso lar, tanto para o bem quanto para o mal. Ela faz a seguinte comparação:

“Assim como manter uma casa ordenada exige organizar as coisas constantemente, assim manter as coisas organizadas espiritualmente exige o mesmo tipo de diligência”.

Se Cristo não estiver presente em nossa vida, não estará presente em nosso lar. O nosso lar é como uma tela que o Senhor nos deu para pintar, devemos pintar com a alma, com o evangelho, com diligência e amor, promovendo sempre a limpeza tanto física quanto espiritual.

O capítulo 12 trata sobre a domesticidade, o domínio das artes domésticas, e o quanto isso tem se tornado obsoleto.
Devemos ver a domesticidade como um verdadeiro chamado, não como uma opção. Abraçando esse nosso chamado, encontramos alegria na obediência. O lar é um microcosmo que deve espelhar a ordem que há na igreja, na comunidade, no país.

Exercitar as artes domésticas exige habilidade com o gerenciamento do tempo e dos recursos. As mulheres devem exercer domínio sobre seu lar através das habilidades domésticas para que Deus seja glorificado.

Por último, Nancy fala sobre quando os filhos deixam o lar. O desejo de uma mãe piedosa é preparar seus filhos para que, na idade adequada, sejam capazes de deixar nosso lar para seguirem vidas produtivas e piedosas por sua própria conta.
É importante que tenhamos uma perspectiva bíblica e adequada sobre isso. Não vivemos para os nossos filhos, vivemos para glorificar a Deus. Poderemos assumir um novo papel de apoio e encorajamento, Nancy diz que “é um começo, e não um fim, quando seus filhos deixam o seu lar debaixo da bênção de Deus”. Devemos procurar ser mães que nossos filhos queiram ter por perto quando saem de casa, isso pode não ser tão exigente quanto ser mãe de crianças pequenas em tempo integral, mas exige sabedoria e humildade.

O livro encerra nos encorajando para quando o momento em que nossos filhos crescem e deixam o nosso lar chega. Esse momento não é um choque para a mãe piedosa, mas é o desfecho de um longo processo. É bastante encorajador aprender isso de uma mulher mais velha que já passou por tudo o que passamos hoje com nossos filhos ainda pequenos. Que o Senhor nos capacite para que frutifiquemos nesta gloriosa vocação para a qual nos chamou.

Com Carinho

Ana Carolina Bongestab, equipe MP


Nancy Wilson é dona de casa e esposa do pastor Douglas Wilson. Ela é autora do livro “O fruto de suas mãos”, “Contentamento” e “Virtuosa”. Nancy tem três filhos adultos e muitos netos.

Ana Carolina é casada com Jonatha Bongestab, mãe da Melissa, Manuela, deste lado da Eternidade, e da Aimée, que está com o Senhor. Congrega na igreja Presbiteriana de Ponta D’areia no Rio de Janeiro. É advogada por formação, mas atualmente exerce livremente seu direito de servir sua família em tempo integral, educando suas filhas em casa, ajudando seu marido, escrevendo sempre que pode, e se dedicando aos estudos sobre Educação Clássica Cristã.