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Logo no início da genealogia de nosso Senhor lemos “Salmom gerou de Raabe a Boaz; este, de Rute, gerou a Obede…”. Após estudarmos a vida de Raabe começamos a perceber um padrão no agir de Deus salvando e redimindo os troféus de Sua graça. Os caminhos de Deus não são os nossos e Seus pensamentos são mais altos que os nossos. O fato de o Senhor Jesus desejar tais nomes em Sua árvore genealógica fala alto aos pecadores. Das cinco mulheres listadas ou mencionadas (Tamar, Raabe, Rute, Batseba e Maria) três eram adúlteras, três eram gentias e Maria ficou grávida fora do matrimônio. Cristo se humilhou de tantas formas e carregou nossa vergonha. Ele não foi um estranho, antes, foi tocado pelas nossa enfermidades. É essa misericórdia que vemos na vida de Rute, a estrangeira moabita.

Noemi e Elimeleque eram israelitas que fugiram de Judá para Moabe para escapar de uma fome devastadora. Em Moabe ambos os seus filhos, Malom e Quiliom, casaram-se com mulheres moabitas, Rute e Orfa. Dentre de pouco tempo todos os três homens da família morreram deixando três viúvas para trás. Noemi ouviu que em Belém a fome havia cessado, então, ela retornou para casa depois de quase dez anos fora. Ambas as suas noras a seguiram, mas, ela suplicou a elas que voltassem cada uma para seu próprio povo e tivessem a possibilidade de um novo casamento. Orfa retornou, mas, Rute se apegou a sua sogra e disse essas belas palavras: “Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rt 1:16). Rute estava totalmente comprometida com sua sogra e, na fé, totalmente comprometida com o Deus de Israel. Ela virou as costas para sua cultura pagã com sua adoração pagã e foi com fé para uma terra estrangeira para viver entre um povo que ela não conhecia.

Noemi e Rute chegaram a Belém no início da colheita da cevada. Devido à grande pobreza das duas, sem ninguém que provesse para elas, Rute teve que sair para os campos e catar o grão para conseguir comida para sobreviverem. Na providência de Deus, Rute foi recolher nos campos de Boaz que era um parente próximo do marido de Noemi, um homem de posses. Rute trabalhou duro, recolhendo desde de manhã cedo até tarde da noite. Esse trabalho duro não passou despercebido, Boaz a viu e perguntou sobre ela. Ele demonstrou uma gentileza marcante para com ela e disse que ela não recolhesse em nenhum outro campo, mas, que permanecesse com as suas moças. Ele aconselhou seus homens a não a tocarem e a tirarem água para ela quando estivesse com sede. Rute ficou assolada com sua gentileza e se prostrou em terra confessando que não se sentia merecedora da graça que ele mostrou para ela, uma vez que, era uma estrangeira. Boaz tinha ouvido de como ela deixou sua família e terra e se comprometeu a cuidar de sua sogra. Então, ele a abençoou com essa palavras: “O SENHOR retribua o teu feito, e seja cumprida a tua recompensa do SENHOR, Deus de Israel, sob cujas asas vieste buscar refúgio” (Rt 2:12). Boaz demonstrou ainda mais gentileza convidando-a para comer com eles como se ela fosse membra da família! E disse a seus homens que a deixassem recolher entre os feixes e também para arrancarem propositalmente algumas espigas para que ela recolhesse.

Quando Noemi viu a quantidade de grãos que Rute trouxe para casa, ela soube que alguém tinha sido extraordinariamente bondoso com Rute. Rute falou sobre Boaz e Noemi louvou ao Senhor pela Sua bondade provendo não só o grão para elas, mas, também um parente próximo. Agora havia esperança que Rute pudesse casar novamente e ser resgatada por Boaz! Que figura de nosso parente próximo e redentor, Jesus Cristo.

Todas nós sabemos o final dessa história de amor, como Boaz resgatou tudo o que pertencia a Elimeleque e sua família e casou-se com a mulher moabita. Que alegria para Noemi e Rute depois de ficarem viúvas, sem filhos e desamparadas! Deus abençoou a Boaz e Rute com um filho chamado Obede que foi o bisavô de Davi e de quem veio o grande Redentor, o que nasceu na manjedoura em Belém. Esse grande Redentor tratou amavelmente os imerecedores, forasteiros, estrangeiros, pobres, sem esperança, desamparados, solitários, tentados e abandonados. Após tratar com amor inicialmente, ele continuou a enchê-los de bondade e amor e encher suas taças até transbordarem por causa de Sua obra, por causa de Seu poder redentor. Se houve misericórdia para aquela mulher moabita com quem os israelitas eram proibidos de casar e não poderiam ter contato, então há misericórdia para você e para mim.

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*Esse artigo foi originalmente publicado na revista The Banner of Sovereign Grace Truth (Edição online de agosto de 2016) , traduzido com permissão do editor.
**Jennifer Kuivenhoven é uma esposa, mãe e dona de casa. Ela vive e serve ao lado de seu marido, Pr. Maarten, em Grand Rapids, Michigan.

*** Tradução: Juliana Fontoura