Fonte da Imagem: thelegacyofhome

Numa passagem famosa de “Grandes Esperanças”, de Charles Dickens, o jovem Pip representa o drama de muitas crianças da era vitoriana. Sentado numa posição desconfortável à mesa durante o jantar, espera-se dele que permaneça quieto, coma apenas “aqueles pedaços duvidosos do porco em que o animal, quando vivo, tinha menos motivos para se orgulhar”, e seja castigado pelos adultos ao redor mesa.

Muitos pais da era moderna se desviaram para o extremo oposto no que diz respeito ao relacionamento com seus filhos. Em vez de tratá-los como lixo, eles os tratam como se fossem seus pares. Em seu famoso livro “Your Child’s Self-Esteem” [A Autoestima do Seu Filho] dos anos 1970, Dorothy Briggs encoraja os pais a compartilhar sua autoridade com o resto da família e a definir as regras familiares junto a seus filhos. Como Briggs disse, a “democracia tem pouco significado para uma criança a menos que ela sinta os benefícios diários dela em casa”. Conheço pais que agem dessa forma, interagindo com os filhos como se fossem seus pares, argumentando com eles como se tivessem a mesma autoridade.

Efésios 6.1-4 estipula uma forma bem diferente de como os pais devem agir. Uma das diferenças na abordagem de Paulo é o chamado para os pais amarem seus filhos enquanto ocupam posições de autoridade dentro de casa.

Pais, Vocês Irão Responder a Deus

A Bíblia é cheia de palavras surpreendentes. Uma delas encontra-se em Efésios 6.4, em que Paulo escreve: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor”. A palavra surpreendente nesse verso é “pais”, no sentido masculino de “pai”. Paulo instrui como os filhos devem se relacionar com os “pais” (Efésios 6.1), no sentido amplo da palavra, e depois com “pai e mãe” (Efésios 6.2). Por isso, quando chegamos ao versículo 4, naturalmente esperamos que Paulo inverta o foco e passe a instruir como mães e pais devem se relacionar com os filhos.

Entretanto, ele não diz “E vós, pais…”, usando “pais” no sentido amplo da palavra, abrangendo pai e mãe. Em vez disso, ele diz “pais” no sentido masculino de “pai”. Por quê? Alguns podem pensar que é porque os pais são mais propensos a provocar seus filhos e, por isso, necessitam mais dessa ordenança. Acredito que encontramos uma resposta mais plausível na passagem seguinte, em que Paulo ensina o desígnio de Deus para maridos e esposas. Na visão de Paulo de lar e vida familiar, há uma mãe e um pai, e o pai é o líder principal da família. Os pais são enfatizados no versículo 4, porque, em última análise, são eles os responsáveis pelo que acontece em seus lares — por isso Deus veio primeiro a Adão, mesmo tendo sido Eva a primeira a comer o fruto proibido (Genesis 3.9).

O foco de Paulo nos pais deveria servir como um alerta para os pais cristãos, muitos dos quais preferem se concentrar primeiramente em suas carreiras enquanto delegam a supervisão de seus filhos às esposas, o que os torna cada vez mais distantes da realidade espiritual e emocional de seus filhos. Pais, seus filhos estão sendo bem nutridos, disciplinados, ensinados e alertados? Você é, em última análise, o responsável por garantir que isso aconteça — e, se isso não está acontecendo, não culpe sua esposa. Você é quem vai responder primeiro a Deus. 

Continua…

*Esse artigo foi originalmente publicado pelo site: desiringgod

_____________________

Foto de Stephen Witmer

Stephen Witmer (@stephenwitmer1) é o pastor da Pepperell Christian Fellowship em Pepperell, Massachusetts, nos Estados Unidos, e ensina sobre o Novo Testamento no Seminário Teológico de Gordon-Conwell. Ele ajuda a administrar o blog “Small Town Summits”, que faz parceria com o blog The Gospel Coalition de New England, a fim de servir igrejas e pastores rurais. Ele e sua esposa, Emma, têm três crianças.

**Tradução por: Rebeca Falavinha. Revisão por: Sara Mendonça