Motherly Love
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A primeira coisa que devemos nos lembrar quando formos corrigir nossos filhos é que eles não são nossos. Deus nos deu a honra de conduzir nossos filhos a Ele mesmo.  Nossos filhos são, antes de tudo, nossos irmãos em Cristo e, como tais, dignos de nosso respeito e consideração. Muitos pais acham que não precisam falar de forma respeitosa e gentil, afinal eles são apenas crianças. Não! Eles são herdeiros da mesma Aliança que nós. Caberia aqui a instrução do Apóstolo Paulo: “Longe de vós, toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmia…” Efésios 4.31. Se entendermos que nossos filhos não são um apêndice nosso e não nos pertencem, teremos um santo temor ao nos relacionar com eles.

Hoje veremos como devemos agir antes, durante e depois da disciplina física, e o versículo que gostaria de usar é o de Efésios 6.4, que diz: “criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.” As palavras disciplina e admoestação se complementam. Uma se relaciona mais fortemente à instrução verbal, mas também tem a conotação de disciplina física. A outra é justamente o inverso, nos deixando o claro ensino que precisamos educar nossas crianças, instruindo-as e corrigindo-as. Vamos, então, a partir daqui, traçar alguns passos importantes para que a disciplina seja efetiva e produza frutos pacíficos!

1. Seja consistente, não se contradiga.

Não crie regras demais, de forma que você não se lembre o que está proibido em sua casa! Se você pensa em dar uma ordem, mas não está disposta a fazê-la cumprir, desista. Evite dar uma ordem hoje e amanhã, movida pela circunstância, ignorar o que você mesmo designou. Ser consistente ajudará seu filho a ser obediente, se ele perceber que descumprindo uma ordem sua, ele REALMENTE terá que arcar com as consequências, levará a sério a voz de sua mãe. Nossa palavra precisa ser uma só!

Outra questão importante é estar de acordo com seu marido, você não pode dar uma ordem, e ele, outra, ou vice versa. A criança rapidamente se aproveitará desta falha de comunicação de vocês para tirar vantagens. Vocês não podem contradizer um ao outro, a educação e instrução das crianças devem seguir um padrão estabelecido pelo casal.

2. Instrua a criança.

A instrução é parte integrante da disciplina. Seu filho precisa ter bem delimitado o que ele pode ou não pode fazer. Estes são momentos de conversa olho no olho, ordem jogada ao ar não vale! Assegure-se que sua ordem foi ouvida e entendida por seu filho. É claro que suas ordens devem estar à altura de sua capacidade de entender e cumprir, cada idade exige uma conversa diferente, com vocabulário adequado e demandas apropriadas.

Muitas vezes pensamos que estamos comunicando o que queremos, mas não estamos, e isso pode prejudicar nosso relacionamento com nossos filhos. Se eles não entenderam uma ordem, certamente terão dificuldade em aceitar a correção, soará como algo injusto. Por isso, devemos ter a certeza que aquilo que esperamos das crianças foi bem explicado, que fomos ouvidos e entendidos.

3. Preze para que sua ordem seja obedecida assim que for ouvida.

Quem já não contou até dez até que o filho obedecesse? Infelizmente, quando fazemos isto, estamos ensinando nossos filhos a não nos obedecer logo na primeira vez. Quando ameaçamos e ficamos instando com a criança para que ela nos obedeça, já perdemos a guerra.

Temos de treinar nossos filhos a ouvirem a nossa voz e a fazerem, imediatamente, o que estamos dizendo. Imagine que a vida do seu filho está em risco imediato. Faça de conta que ele está dependurado na janela sem grade do 10º andar, e  que você, lá no fim do corredor,  está assistindo a cena. Se para salvar a vida dele, você precisasse que ele simplesmente ouvisse a sua voz e atendesse a sua ordem, descendo dali imediatamente, o que aconteceria? Se você sentiu um frio na barriga por saber que seu filho não lhe obedeceria somente pelo som de sua voz, está na hora de repensar a disciplina que está sendo usada em sua casa!

Claro que esta é uma situação extrema, mas, ao ensinar nossos filhos, precisamos lembrar que eles correm riscos quando não ouvem a nossa voz e não se afastam imediatamente do perigo. Estes riscos podem ser físicos, emocionais ou espirituais, e podem levar à morte! Lembro de uma passagem contada por Tedd Tripp, em seu livro “Pastoreando o coração da criança”, em que ele narra que chamou o filho, e este não atendeu. Ele chegou bem perto da criança e lhe perguntou: “Você não ouviu papai chamando?”. E a criança respondeu que não. Ela estava tão distraída, brincando, que não deu atenção à voz do pai. Então, o pai disse ao filho: “Pois trate de treinar seu ouvido, em meio aos barulhos à sua volta, para ouvir a minha voz. Vou lhe chamar apenas uma vez, e se você não atender, será disciplinado.” Num instante a criança aprendeu que deveria priorizar a voz do pai, e tê-la como importante! Era o som mais importante do mundo! Tudo deveria esperar e se calar ao redor para que ele pudesse ouvir a ordem de seu pai!

4. A correção física propriamente dita.

Quando uma ordem dada pelos pais for solenemente ignorada ou “esquecida” pelo filho, a hora de corrigir é chegada. A primeira coisa que você precisa fazer é, como já dissemos, levar a criança para um lugar reservado, aqui em casa era sempre no quarto do papai e da mamãe. Sua voz calma e suave deve comunicar à criança o motivo de estarem ali, fazendo-o recordar a ordem que foi dada e quebrada. Este também é o momento de explicar a ele que a desobediência é pecado, e que ele não está apenas pecando contra você, mas contra Deus. Você pode, também, persuadi-lo, através da leitura das Escrituras, mostrando trechos que comprovem que a atitude dele é pecaminosa. Não deixe de dizer que o ama e que você só o está corrigindo por este motivo! É o amor por ele e a obediência a Deus que te movem, e seu filho deve ouvir isso!

Então, chega o momento da correção física. Com nossos quatro filhos, fizemos da mesma forma, os colocávamos em nosso colo de bruços, tirávamos o short e aplicávamos algumas varadas no bumbum. Não usávamos as mãos, preferíamos deixá-las guardadas para o momento do acolhimento! Usávamos varas de galhos de árvore, mas tínhamos dificuldades para encontrar uma que fosse boa. Um dia, sem achar um galho e precisando corrigir um menino, sem querer achei um instrumento que se tornou o oficial lá de casa! A mangueirinha do nebulizador! Ela é flexível, do comprimento que eu quiser cortá-la, de acordo com o tamanho da criança, não deixa o corpinho da criança machucado. Embora produza uma dor considerável para fazer a criança pensar duas vezes antes de desobedecer de novo, acerta só no lugar devido e não causa ferimentos.         Esta é uma questão que deve ser discutida entre você e seu marido. O importante é que seja um instrumento que produza o efeito desejado: fustigar a criança com o fim de mostrar a ela que a desobediência traz consequências dolorosas.

5. E depois de aplicar a vara?

Muitos pais têm esta dúvida: como agir depois de corrigir o filho? Muitos temem demonstrar amor ou dar alguma forma de consolo para a criança, achando que esta atitude poderia tirar sua autoridade. Na verdade, este é um pensamento que não associa o amor à disciplina. Você não estava irado quando corrigiu sua criança, o motivo foi bem explicado, você até orou com ela, não se excedeu no uso da vara; então, não tem porque não acolhê-la. Se você sentir culpa após corrigi-la da forma adequada, precisa tratar seu coração, mas não pode deixar de demonstrar o amor que sente por seu filho. Esta foi uma das experiências que mais marcaram a minha vida, e que mais me fez entender a relação de Deus com seus filhos! Era lindo ver o Orebe entrar no quarto com um dos meninos, já chorando por saber que iria ser disciplinado, ouvir a choradeira depois das varadas, seguida de um silêncio e de vozes baixas e de repente, saíam os dois do quarto, rindo e conversando como bons amigos. Era incrível sairmos do quarto da disciplina sem ter tido a relação com nossos filhos quebrada. O problema havia sido resolvido lá dentro. Era lindo ver nossos filhos aceitando o nosso amor, e vê-los se aninhar em nosso colo, recebendo consolo e palavras de amor até que se acalmassem! Não existe contradição nenhuma em disciplinar com vara, e depois colocar nosso filho no colo, beijá-lo e dizermos o quanto o amamos e nos preocupamos com ele.

Antes de terminar esta série, gostaria de expor algumas perguntas que tenho recebido de amigas e leitoras do blog. Sei que a dúvida de uma pode ser a mesma de muitas outras; por isso, na próxima semana postaremos algumas respostas.

Continua…

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* Simone Quaresma é casada há 23 anos com o Rev. Orebe Quaresma, pastor da Igreja Presbiteriana de Icaraí e da Congregação Presbiteriana de Ponta da Areia em Niterói, Rio de Janeiro. Professora de educação infantil, deixou a profissão para ser mãe em tempo integral de 4 preciosidades: Lucas (21 anos), Israel (19 anos), Davi (17 anos) e Júlia (15 anos). Ela mantém o blog Se Eu Gostasse de Ler…  de leituras diárias para os jovens da Congregação pastoreada por meu marido; é professora da classe de jovens e trabalha com a SAF da Igreja onde ele é pastor auxiliar.