corporal_punishmentAinda não leu a Parte 1? Leia Aqui.
Ainda não leu a Parte 2? Leia Aqui.
Ainda não leu a Parte 3? Leia Aqui.

Por causa do mau uso da vara, muitos pais a têm abandonado por completo, sequer analisam o que a Bíblia diz sobre o assunto, ou jogam luz em seu passado para detectar as falhas de seus pais. Simplesmente “jogam o bebê fora junto com a água da bacia”. Este comportamento de abandonar por completo a disciplina física, no entanto, tem gerado consequências ainda mais danosas.

Como vimos anteriormente, a disciplina bíblica é ordenada por Deus. Devemos, portanto, como mães que amam ao Senhor, refletir seriamente sobre como vamos desenvolver esta prática em nosso lar. Muitos pensam, erradamente, que ‘bater’ é a solução, já ouvi diversas vezes mães desabafando desesperadas: “eu bato, bato, bato e não adianta nada! Meus filhos estão cada vez mais rebeldes!” Perceba que a questão em pauta é muito mais ampla do que “bater”. Se apenas dar uma boa surra fosse  a questão, os filhos de marginais que são surrados covardemente seriam cidadãos exemplares.

A disciplina bíblica visa a mudança do coração da criança, por isso uma série de medidas devem ser usadas, inclusive a vara. Gostaria de listar com vocês alguns comportamentos que são utilizados em nome da disciplina de filhos, mas que, na verdade, distam dos mandamentos de Deus, como o céu dista da terra! Vejamos, então, o que a disciplina bíblica NÃO É!

1. Não é um momento para extravasar sua raiva da criança.

Imagine a situação: você diz a seu filho para não mexer naquele vaso em cima da mesa. Ele não te obedece, mas você está muito ocupada ao telefone, e não toma providências para que ele te atenda. Ele continua brincando com o vaso, e você altera a voz e o chama pelo nome completo (sinal de que as coisas estão ficando sérias!); mesmo assim, ele não te atende. Por fim, depois de brincar com o vaso proibido por muito tempo, ele quebra o vaso, como já era previsto; aquele vaso havia sido um presente de casamento, que você guardava com carinho. Naquele momento, sua ira agiganta-se, e você diz a sua amiga que precisa desligar o telefone imediatamente, porque o menino desobedeceu e, agora, seu amado vaso está em pedaços. Furiosa, você avança aos gritos naquela indefesa criança de 3 anos. O motivo para a disciplina deveria ser a desobediência que antecedeu a quebra do vaso, você não deveria ter sido levada a se irar pela insistência da criança em mexer no vaso. Depois da primeira vez que você deu a ordem, deveria fazer com que ela fosse obedecida. Quando postergamos a disciplina, por preguiça ou qualquer outro motivo, a ira cresce dentro de nós e corremos o risco de dar o remédio errado, com a dosagem errada.

2. Não é gritar, humilhar, ofender.

Frequentemente, pais que não usam a vara de forma adequada perdem o controle da situação e acabam usando métodos condenáveis para resolver o problema. Começa, então, uma sessão, geralmente pública, de gritaria e exposição da criança. A mãe enfurecida diz coisas que, em momentos de calma, jamais sequer pensaria a respeito do filho. As palavras são usadas como armas para ferir, tentando aliviar a frustração de uma mãe que não consegue controlar o filho. O único resultado que se colhe de tal atitude é dor e revolta, o problema inicial não foi resolvido e, ainda por cima, outro foi gerado. O coração da criança, antes apenas desobediente, agora também está humilhado, magoado e muito menos propenso a obedecer da próxima vez.

3. Não é um acerto de contas pela ofensa sofrida.

Se o foco da disciplina não for a glória de Deus e o arrependimento e mudança de vida na criança, muitos erros sorrateiros podem adentrar. É muito comum uma mãe disciplinar a criança baseada na ofensa que sofreu: “Como esse pirralho de 7 anos ousa fazer isso comigo? Ele não me respeita? Ele vai ver só com quem está falando!”. O sentimento de ser ofendida pelas palavras ou ações de nossos filhos não pode nos dominar.

Conheci um menino que, ao chamar a mãe de gorda, descobriu que mexia com ela. Toda vez que o menino se sentia frustrado por ter um desejo negado, chamava a mãe de gorda. A mãe, ofendidíssima, revidava a ofensa batendo no menino. Mas pense comigo, a mãe deveria corrigir seu filho, não porque se sentiu ofendida, mas porque já havia dito ao filho para não chamá-la assim, e ele estava desobedecendo sua ordem e, por isso, deveria ser corrigido. A alma dele estava em risco porque estava ignorando o que sua mãe dissera, o foco era na desobediência dele, não no sentimento da mãe. Somos profundamente egoístas quando corrigimos nossos filhos para satisfazer a dor que eles nos causaram. Precisamos, então, colocar os sentimentos no lugar, perdoar nossos pequenos é a primeira atitude. Depois temos de corrigi-los pela desobediência, e também podemos ensiná-lo que algumas palavras ofendem, e que ele deve ser mais cortês e respeitoso ao se dirigir a você e aos outros. Lembre-se sempre: quando seu filho peca, é contra DEUS que ele peca em primeiro lugar.

4. Não é hora de colocar para fora tudo que deu errado no seu dia.

Quem já não passou por um dia de cão?! A noite foi mal dormida, a criança mais velha está gripada, o marido lhe pediu para pagar várias contas que vencem hoje. O gás acabou, e o almoço precisa estar pronto às 11:00 para as crianças seguirem para a escola. O telefone está mudo, o pneu do carro furou, o bebê não para de chorar e o celular de tocar. Pense, ainda, que este é um dia em que o calor está insuportável, e você, com uma cólica daquelas! Não, isto não é um filme de terror, nem uma descrição meramente hipotética, mas uma realidade numa família de muitos filhos! Tudo isso acontecendo ao mesmo tempo e, de repente, sua menina se recusa a descer daquela escada que lhe promete um tombo iminente. Tudo que você não precisa neste dia é ir parar no pronto socorro! Mas sua menina não desce da escada, ela não faz ideia de como seu dia está e ainda ficará difícil. Por que você a disciplinaria? E com que espírito? Você descontaria nela tudo que deu errado hoje? Mas a culpa do gás ter acabado e do telefone estar mudo não é dela. Se você não controlar seu espírito, a pequena acabará pagando a conta toda, e não apenas da sua desobediência. É por isso que sempre que falo sobre criação de filhos, digo que, quando se é mãe, ou levamos à sério o que é ser crente, ou desistimos de disciplinar nossos filhos! O processo de disciplina dos nossos filhos começará nos mudando, para que depois possamos alcançar o coração deles. Se não for assim, a disciplina física será mera e gratuita agressão física, que não frutificará para a vida eterna.

5. Não é para que os outros vejam.

Em todas as áreas da nossa vida, precisamos lutar contra o desejo de ser aceito por homens. Quando Lucas, meu filho mais velho, tinha um ano e oito meses, começou uma terrível fase. Ele mordia, mas não eram mordidas leves, eram aquelas de deixar marca roxa. Imagine a situação de ver a filhinha de minha amiga ser “atacada” por meu pequeno Pitibul, e a mãe ali na minha frente, esperando que eu fizesse alguma coisa… Claro que a tentação era de satisfazer a fúria daquela mãe, querendo vingança pela marca deixada na bochecha da filha. Entretanto, o que estava em jogo não era a minha reputação de boa mãe, nem saciar a vingança daquela mãe, que, àquela altura, estava doida para ver o Lucas ganhar uns safanões! Se tratava de ensinar meu filho a vencer o seu desejo de morder em nome da obediência. Ele já sabia que não podia morder, já havia entendido e apanhado algumas vezes por este motivo. Ele precisava continuar sendo corrigido até largar este horrível hábito; mas, na frente daquela mãe e dos outros espectadores, era o lugar certo? Depende de qual era o desejo do meu coração: agradar a Deus ou às pessoas que presenciaram a cena.

Por vezes, somos tentados a mostrar para os nossos pais, sogros ou nosso pastor o quanto aprendemos sobre disciplina, e que, em nossa casa, isto é levado à sério. Daí fazemos tudo direitinho, disciplinamos como manda o figurino, mas, quando a situação se repete em casa sem plateia, deixamos nosso pequeno sem correção, e sem entender nada! Devemos sondar o nosso coração e ver se há algum ídolo nos compelindo a exercer a disciplina, ou se estamos fazendo isto em obediência à Palavra e para a glória do nosso Deus. Veja como somos maus! Mesmo fazendo a coisa certa, podemos pecar por ter motivações erradas!

6. Não é dar tapas, beliscões, sacudidas e puxões de cabelo!

O nome disso é agressão física, do tipo “onde pegar, pegou”. Não se alveja uma criança, inadvertidamente, com um tapa. A disciplina física não é momento, mas um todo. Quando uma mãe desfere golpes aleatórios, geralmente em meio a gritos que a criança não entende, está fazendo qualquer coisa, menos discipliná-la! Disciplina física tem hora, lugar e “compartimento secreto” do corpinho da criança específico para este fim.

7. Disciplina física não é pôr de castigo.

Muitos pais confundem disciplina bíblica com castigo. Vara não é castigo, vara é vara, é fustigar! O castigo tira a criança do convívio familiar, a deixa entediada no canto até que ela se distraia com um amigo imaginário. Esta fantasia de que a criança vai ficar ali pensando no que ela fez só gera duas atitudes: ou a criança permanece ali sentada engolindo a raiva e o desprezo da mãe que a largou lá, ou ignora o motivo de estar ali e passa a cantar, brincar com as mãozinhas etc.

Quando eu lecionava, precisei chamar a mãe de um aluno de 9 anos para conversar. Tiago estava impossível em sala de aula. Quando expliquei a situação à mãe, ela me disse que não sabia mais o que fazer. Tiago já estava de castigo da televisão, já não podia jantar à mesa com a família e não descia para brincar no play há um mês. Foi fácil entender porque aquele menino extravasava toda a sua energia em sala de aula! Ele não podia fazer NADA. Vivia de castigo, impedido do convívio familiar e das brincadeiras típicas da sua idade. A mãe achava que estava fazendo um bem ao seu filho, quando na verdade estava tornando a situação insustentável.

Quem age assim é a sociedade, que pune o cidadão com pena de reclusão de acordo com o crime. Na disciplina bíblica, é diferente. A disciplina deve ser aplicada e imediatamente após, nosso cidadãozinho deve voltar ao aconchegante e amoroso convívio familiar. A “pena” não deve ser aplicada de acordo com o “crime”! Pecado é sempre pecado, e a correção deve ser igual para todo tipo de falta!

No próximo texto, falaremos sobre como a vara deve ser exercida para a felicidade de nossa família e principalmente para o bem eterno de nossos filhos.

Continua…

__________________

* Simone Quaresma é casada há 23 anos com o Rev. Orebe Quaresma, pastor da Igreja Presbiteriana de Icaraí e da Congregação Presbiteriana de Ponta da Areia em Niterói, Rio de Janeiro. Professora de educação infantil, deixou a profissão para ser mãe em tempo integral de 4 preciosidades: Lucas (21 anos), Israel (19 anos), Davi (17 anos) e Júlia (15 anos). Ela mantém o blog Se Eu Gostasse de Ler…  de leituras diárias para os jovens da Congregação pastoreada por meu marido; é professora da classe de jovens e trabalha com a SAF da Igreja onde ele é pastor auxiliar.