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Sei que estou me estendendo mais que o planejado, mas tenho percebido que há muitas dúvidas sobre este assunto, por isso peço que tenham um pouco mais de paciência, porque alguns conceitos precisam ser elucidados e consolidados, se quisermos ter uma prática Bíblica e saudável.

Se treinar nossos filhos na obediência é condição sine qua non para que mais tarde obedeçam a Deus com maior facilidade, o treinamento precisa ser eficaz. Em seu livro “O Evangelho para os filhos da aliança”, Joel Beeke nos ensina que a salvação da alma de nossos filhos não está em nossas mãos, é uma obra do Espírito Santo, mas que deveríamos trabalhar como se dependesse de nós. Isto significa que devemos nos esmerar, labutar, trabalhar arduamente todos os dias dos poucos anos que o Senhor nos dá para fazê-lo. Temos pouco tempo para executar esta obra espetacular de moldar o caráter de nossas crianças para a glória de Deus. Temos alguns anos para fazer um investimento, que durará para a vida toda e que se estenderá até a eternidade. Grande parte dos problemas que seus filhos terão ou deixarão de ter na vida adulta dependerão da condução que tiverem tido no lar. As falhas de caráter, as dificuldades de relacionamento, o egoísmo, a forma mundana de encarar a vida serão mitigados ou alimentados, serão tratados ou piorados. Nas mãos dos pais, estão as duas tábuas da Lei esperando para serem ensinadas: relacionamento com Deus e relacionamento com o próximo. Devemos ensinar nossos filhos toda a Lei de Deus e zelar para que ela seja cumprida!

Para que este objetivo seja alcançado, um dos meios que Deus instituiu foi o uso da disciplina física. O uso da vara é ORDENADO na Bíblia. Não se engane, esta não é uma opção. Todas as ordens dadas nas Escrituras do Antigo e Novo Testamento estão lá para serem obedecidas. A Bíblia – e não a mídia, o governo ou a psicologia – deve ser a nossa REGRA não só de fé, mas também de PRÁTICA. “Tu ordenaste os teus mandamentos, para que os cumpramos à risca” (Salmos 119.4).

Você não pode optar se obedecerá à Lei de Deus no tocante a mentira, ao adultério, ao assassinato. A Bíblia também nos ordena o amor ao próximo, o chorar com os que choram, o não se meter em contendas. Somos ensinados a não falar mal do irmão, a usar a língua com sabedoria e nos manter longe das gritarias, a nos abster da prostituição e obedecer às autoridades constituídas. Pois bem, a ordem para que disciplinemos nossos filhos também está na Bíblia, não é uma invenção humana. E se está na Bíblia, está em pé de igualdade com todas as ordens citadas acima. Como crente que ama ao Senhor e crê que a Bíblia é a Palavra revelada do próprio Deus, não posso simplesmente escolher, segundo as minhas conveniências, ou segundo o que penso, as ordens que devo ou não seguir. Jamais deveríamos questionar se a correção física vai ou não ser “adotada” na minha família. Não temos a opção de desobedecer!

Eu bem sei que, quando falamos sobre disciplina com vara, muitas ideias erradas vêm a nossa mente. Muitos de nós não foram corretamente disciplinados pelos pais, muitos sofreram abusos e agressões físicas, sentiram medo, pavor e, consequentemente, se afastaram de seus pais e de Deus. Se você teve este tipo de experiência, é normal não querer nem ouvir falar em correção física. Mas você precisa discernir entre o que foi feito com você em sua infância e aquilo que a Bíblia ensina como o correto diante de Deus.

Por causa dos abusos, normalmente, o conceito de amor é dissociado da disciplina física. Entretanto, a falha de nossos pais em nossa correção não pode obscurecer a beleza dos ensinamentos da Palavra de Deus. Ela sim é nossa bússola, e a Bíblia associa o amor à disciplina física! Este é o principal ensinamento que você precisa ter em mente ao cuidar da educação de seus filhos! “O que retém a vara aborrece (odeia) a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina.”(Provérbios 13:24). Que discurso diferente do que ouvimos por aí! Aqui Salomão diz justamente o contrário do que se fala em todo canto. Amar é disciplinar desde cedo. Os pais que deixam de fazer isto, na verdade, odeiam suas crianças. Salomão insiste: “Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno.” (Provérbios 23.13 e 14). Pode haver maior declaração de amor do que livrar a alma de nossas crianças do inferno? O autor de Hebreus, inclusive, diz que filhos sem disciplina, na verdade, são bastardos! (Hebreus 12.8). Portanto, se reside amor por seus filhos em seu coração, se você os ama tanto quanto diz, se você se interessa pela alma eterna que eles têm, use os métodos de Deus para resgatá-los do pecado, para arrancar a estultícia que está ligada aos seus corações; e estultícia não é uma boa coisa! No dicionário, podemos entendê-la melhor: insensatez, estupidez, sandice, necedade, ignorância, tolice. Todos estes atributos são usados em Provérbios para caracterizar um homem ímpio! E qual o remédio? “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela.” (Provérbios 22.15). Deus mesmo providenciou a cura para a estultícia, a forma de arrancar nossos filhos do inferno (Provérbios 23.13 e 14), de dar descanso, delícias às almas dos pais (Provérbios 29.17), de dar sabedoria a nossos filhos (Provérbios 29.15). Agora, nos resta escolher a quem serviremos: “Porém, se vos parece mal servir ao SENHOR, escolhei, hoje, a quem sirvais: se aos deuses a quem serviram vossos pais que estavam dalém do Eufrates ou aos deuses dos amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao SENHOR.”(Josué 24.15)

Continua…

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* Simone Quaresma é casada há 23 anos com o Rev. Orebe Quaresma, pastor da Igreja Presbiteriana de Icaraí e da Congregação Presbiteriana de Ponta da Areia em Niterói, Rio de Janeiro. Professora de educação infantil, deixou a profissão para ser mãe em tempo integral de 4 preciosidades: Lucas (21 anos), Israel (19 anos), Davi (17 anos) e Júlia (15 anos). Ela mantém o blog Se Eu Gostasse de Ler…  de leituras diárias para os jovens da Congregação pastoreada por meu marido; é professora da classe de jovens e trabalha com a SAF da Igreja onde ele é pastor auxiliar.