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Como vimos no artigo anterior, todo homem precisa ser ‘protegido’ de seus próprios sentimentos e vontades (Gálatas 5.17). Mesmo os convertidos não podem se dar ao luxo de seguir as inclinações de seus próprios corações, manchados ainda pelo pecado. Por vezes, somos ingênuos e achamos que, depois da nossa conversão, passamos a ser bons, e tudo que produzimos tem a chancela de Deus; absolutamente. O profeta Jeremias descreve o coração do homem da seguinte forma: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” Jeremias 17.9. Esta é a realidade de todo homem. Por este motivo, lutamos tão veementemente todos os dias contra o pecado.

A guerra que se estabelece depois da conversão é atroz. Nosso coração enganoso deseja uma coisa, a Bíblia a proíbe. Nossa vontade nos arrasta para fazê-la, a Bíblia diz: Pare! É uma luta de vida ou morte, como descreve o autor da carta aos Hebreus: “Ora, na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue…” Hebreus 12.4. Esta é a grande batalha de todo cristão: desprezar e negar a si mesmo, suas vontades e desejos, para se curvar à Palavra de Deus. Obediência é o cerne do Cristianismo, Jesus descreveu nestas palavras: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama…” João 14.23. Quem ama a Cristo não é aquele que diz que ama, aquele que se porta como quem ama, que se veste como quem ama. Quem ama a Cristo é aquele que, não apenas ama a sua santa Lei, mas a guarda e cumpre. Toda esta argumentação visa deixar claro a importância suprema da obediência a despeito de nossas vontades e sentimentos! A obediência de verdade é testada quando queremos MUITO uma coisa e desistimos dela por amor ao santo mandamento! Veja se você já não enfrentou situações como estas:

  • A Bíblia me manda amar ao próximo como a mim mesmo. Meu desejo diz: “Retribua na mesma moeda a ofensa recebida!”
  • O casamento misto, ou qualquer associação que envolva aliança do crente com o ímpio, é condenado por Deus. Meu coração corrupto clama: “Mas eu amo este rapaz mais do que tudo, não serei feliz sem ele”.
  • Deus condena a mentira, mas “tem horas que é imprescindível mentir”.
  • Deus condena a gritaria, mas “meu gênio é muito forte”.
  • A imoralidade é pecado contra nós, o outro e contra Deus, mas “não consigo me controlar”.

Com esta pequena lista, podemos nos lembrar de nossas lutas diárias contra os ídolos que poluem nossos corações. O ídolo maior somos nós mesmas e nossas vontades. Em qualquer momento em que colocamos a nossa vontade em primeiro lugar e desobedecemos a Deus para fazer o que desejamos, estamos servindo não a Ele, mas ao nosso próprio ventre. Tornamo-nos idólatras, adoradores de nós mesmas e de nossas vontades. Não é à toa que uma das mais célebres frases de Calvino diz que “O coração do homem é uma fábrica de ídolos”. Precisamos lutar arduamente para derribar nossos postes ídolos!

E com nossas crianças, você acha que seria diferente? Qual o nome que podemos dar à atitude daquele menino lindo na fila do mercado se debatendo no colo do pai para ser colocado no chão? Idolatria! Aquele bebê de apenas 10 meses tem um objetivo: sair do colo do pai, custe o que custar. Se seu desejo não for atendido imediatamente, ele cuidará de fazer tanta gritaria, jogar tanto o corpinho para trás, que, por fim, exausto e envergonhado, aquele homenzarrão cederá ao desejo incontrolável de seu pequeno tirano. O bebê só se satisfaz quando seu desejo desobediente é cumprido por seu servo, o pai. Perceba que, em situações diversas, o que a criança busca é: não satisfazer a ordem dos pais, mas prover para si mesma prazer, independente do quanto isto custe.

Toda criança é especialista em levar adultos à loucura! Não é preciso fazer muita força para lembrar da guerra que se inicia a cada vez que você precisa fazer seu filho obedecer a uma ordem sua: colocar um casaco, tomar o remédio, não comer doce antes do jantar, ir embora do parquinho, descer do banco, deitar para dormir, escovar os dentes, comer só mais uma bolacha e guardar o restante, ceder a vez ao irmãozinho… Não interessa qual seja a ordem. Se a criança estiver a fim de fazer o que os pais estão dizendo, tudo fica bem, mas se a vontade da criança for outra… daí começa um show de horrores, que vai desde a argumentação feroz ao choro, gritaria e, dependendo dos pais, até rolar no chão e bater o pé. Tudo isso estará no pacote “só faço o que eu quero”.

Os pais, então, precisam lutar para ensinar suas crianças a negar a si mesmas, a superar seus desejos em nome da obediência, a colocar a honra aos pais e a Deus em primeiro lugar, a ter Deus e sua lei como seus senhores, e não a si mesmos. Algumas das mais solenes de todas as advertências Puritanas são contra a negligência dos pais em treinar apropriadamente seus filhos. Na mais memorável destas advertências, Richard Mather imaginou os filhos, no Dia do Juízo, dirigindo-se aos pais que negligenciaram seu treinamento:

Tudo isto que sofremos é por causa de vocês; deveriam ter-nos ensinado as coisas de Deus, e não o fizeram; deveriam nos haver impedido de pecar e nos corrigido, e não o fizeram; vocês foram o meio da nossa corrupção e culpabilidade originais, e, no entanto, nunca demonstraram qualquer cuidado competente para podermos ser livres disto… Ai de nós que tivemos pais tão carnais e imprudentes, e ai de vocês porque não tiveram compaixão e piedade para evitar a miséria eterna de seus próprios filhos.[1]

Com esta solene advertência, convido você, mãe, a refletir sobre que medidas têm sido tomadas na sua casa para manter seus filhos longe da desobediência, que leva à morte! Deus nos deu o caminho a ser seguido. Estamos nós dispostas a obedecer, ou, como crianças mimadas, vamos fazer aquilo que queremos e achamos em detrimento da Palavra de Deus?

No próximo post, falaremos especificamente dos métodos de Deus para conduzir nossos filhos na obediência exigida pela Escritura.

Continua…


[1] RYKEN, Leland. Santos no Mundo. São José dos Campos – São Paulo: Editora Fiel, 1992, p. 93.

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* Simone Quaresma é casada há 23 anos com o Rev. Orebe Quaresma, pastor da Igreja Presbiteriana de Icaraí e da Congregação Presbiteriana de Ponta da Areia em Niterói, Rio de Janeiro. Professora de educação infantil, deixou a profissão para ser mãe em tempo integral de 4 preciosidades: Lucas (21 anos), Israel (19 anos), Davi (17 anos) e Júlia (15 anos). Ela mantém o blog Se Eu Gostasse de Ler…  de leituras diárias para os jovens da Congregação pastoreada por meu marido; é professora da classe de jovens e trabalha com a SAF da Igreja onde ele é pastor auxiliar.