baby3É ponto pacífico que a Palavra de Deus não se cala sobre este assunto tão importante. Filhos precisam de limites, precisam de disciplina. Nossos pais na fé, os Puritanos “criam que uma parte importante do treinamento religioso dos filhos consistia na disciplina.” Para os Puritanos, além disso, a disciplina envolvia a ideia de restringir inclinações negativas. John Norton declarou que: “doutrina e exemplo somente são insuficientes; disciplina é uma parte essencial do cuidado do Senhor.” John Eliot expressou a mesma atitude assim: “A dócil vara da mãe é algo muito suave, não romperá nem osso nem pele; entretanto, pela bênção de Deus com ela, e sob sábia aplicação dela, deverá romper o laço que une a corrupção ao coração.” Note se não é exatamente o que a Palavra de Deus nos diz em Provérbios 22.15: “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a VARA DA DISCIPLINA A AFASTARÁ DELA.” A vara da disciplina, segundo Deus, arranca a estultícia do coração pecaminoso de nossas crianças.

Para entendermos a necessidade premente do uso da vara, precisamos entender quem são, segundo a Bíblia, as criaturinhas que Deus colocou sob nossos cuidados e responsabilidade, de quem ele pedirá contas um dia. Davi nos mostra um quadro desolador: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe.” Salmos 51.5. Mais à frente, Davi reitera a desgraça que a queda legou a toda a raça humana: “Desviam-se os ímpios desde a sua concepção; nascem e já se desencaminham, proferindo mentiras.” Salmos 58.3. Para entender a necessidade da disciplina bíblica, precisamos entender com profundidade a doutrina da Depravação Total do Homem. Se não conhecermos estas verdades, minimizaremos a desgraça que bate às nossas portas, achando que nossos pequenos bebês cheirosinhos e risonhos são inocentes, puros, e se desenvolverão sozinhos, adquirindo horror ao pecado por osmose! NÃO, eles não amarão a santidade e não sentirão nojo do pecado naturalmente. Pelo contrário, se forem deixados a seu bel prazer, seguindo as tendências naturais de sua carne caída, nossas crianças caminharão a passos largos para longe de Deus. Segundo Robert Murray McCheyne,  mesmo nessa idade, a semente de todo tipo de pecado já está plantada em seus corações. “A verdade não se resume à possibilidade de nossas crianças se desviarem espiritual e moralmente, caso alguma coisa saia errado; muito pior que isso é a tendência para seguir esse caminho tortuoso, que já veio plantada nelas. A única coisa que falta para o trágico desfecho é elas darem vazão aos seus desejos carnais.”, diz Sinclair B. Ferguson, em seu artigo “Inocentes pequeninos?”. Nosso querer é naturalmente corrupto desde sempre. É isso que nos ensina Paulo, quando escreve aos Gálatas: “Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; PARA QUE NÃO FAÇAIS O QUE, PORVENTURA, SEJA DO VOSSO QUERER.” Gálatas 5.17. É chocante concluirmos que não podemos ser deixados à vontade para fazermos nossa própria vontade. Ela nos levaria sempre ao abismo. Precisamos que o Espírito Santo de Deus inste conosco para não fazermos o que queremos. A partir deste entendimento, concluímos que o cerne da vida cristã, não são os êxtases, ou os sentimentos, mas a OBEDIÊNCIA à Santa Lei de Deus.

Então vamos lá: Se todo homem já nasce escravo do pecado, e se o pecado traz o juízo e a ira de Deus sobre os homens, não deveríamos temer horrivelmente que esta ira se abatesse sobre nossos pequenos? Não deveríamos correr contra o tempo, desesperadamente, para tentar arrancar a estultícia que está grudada em seu coração? Não seríamos cruéis demais se não déssemos a devida importância à forma que o próprio Deus designou para levarmos nossos filhos a obedecê-Lo? Sim, porque este é o grande objetivo da disciplina dos nossos filhos. Eles não devem ser criados para mostrarmos às pessoas quão bons educadores somos. Não se trata de ajudar à sociedade formando bons cidadãos, ou termos bons filhos que cuidem de nós na velhice. Embora isso seja consequência de uma boa educação, o objetivo não é esse. O alvo supremo da criação de nossos filhos é fazer com que sejam obedientes a nós em tudo, para mais tarde serem obedientes ao Pai Celeste em tudo! Segundo Benjamim Wadsworth, “os jovens não se importarão muito com o que é dito pelos ministros em público, se não forem instruídos no lar; nem considerarão boas as leis feitas pela autoridade civil, se não são bem aconselhados e governados no lar.”

O treinamento de nossos filhos, então, ganha outro status. Não é um fim em si mesmo, mas persegue um alvo adiante. Meditemos nestas verdades por mais algum tempo! No próximo artigo veremos como a falta de disciplina em casa dificulta o relacionamento santo de nossos filhos com Deus. Tentaremos ver juntas, o que precisamos saber e onde podemos agir para fazer destas sementes santas que Deus nos confiou, homens retos diante Dele. Se este é seu desejo, mãos à obra!

Continua…

# Citações retiradas de “Santos no Mundo” de Leland Ryken (Editora Fiel) e “Inocentes pequeninos?” de Sinclair Ferguson

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* Simone Quaresma é casada há 23 anos com o Rev. Orebe Quaresma, pastor da Igreja Presbiteriana de Icaraí e da Congregação Presbiteriana de Ponta da Areia em Niterói, Rio de Janeiro. Professora de educação infantil, deixou a profissão para ser mãe em tempo integral de 4 preciosidades: Lucas (21 anos), Israel (19 anos), Davi (17 anos) e Júlia (15 anos). Ela mantém o blog Se Eu Gostasse de Ler…  de leituras diárias para os jovens da Congregação pastoreada por meu marido; é professora da classe de jovens e trabalha com a SAF da Igreja onde ele é pastor auxiliar.